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“Não permito que a mulher ensine… mas que fique em silêncio” – o que 1 Timóteo 2.12 significa?
Episódio do Podcast John Piper Responde
Transcrição do vídeo
Seja bem-vindo a mais um podcast John Piper Responde! Hoje o pastor John falará sobre um texto bíblico que sempre está na nossa caixa de e-mails. Vamos à pergunta do nosso ouvinte:
Caro Pastor John, obrigado por este podcast! Em 1 Timóteo 2.12, Paulo escreve: ‘E não permito que a mulher ensine, nem exerça autoridade de homem; esteja, porém, em silêncio‘. Estou tentando entender exatamente o que Paulo está proibindo aqui. Isso significa que as mulheres nunca devem ensinar os homens, mesmo em estudos bíblicos ou em salas de aula? Ele está se referindo apenas ao papel formal de pastores ou presbíteros? E quanto às mulheres compartilharem ideias ou fazerem perguntas em discussões em pequenos grupos? Sei que as mulheres são elogiadas por profetizar tanto no Antigo quanto no Novo Testamento. (Os versículos fornecidos incluem Êxodo 15.20; Juízes 4.4–5; 2 Reis 22.14–20; Isaías 8.3; Lucas 2.36–38 ; Atos 21.8–9; e 1 Coríntios 11.5) “Então, como conciliamos essas realidades com a proibição de Paulo em 1 Timóteo 2.12? E como posso viver fielmente esse ensinamento de uma forma que honre o desígnio de Deus para homens e mulheres na igreja?”
Aqui está o texto-chave com o qual todos estamos mais ou menos preocupados, e com razão: 1 Timóteo 2.11-14. “A mulher aprenda em silêncio, com toda a submissão. E não permito que a mulher ensine, nem exerça autoridade de homem; esteja, porém, em silêncio. Porque, primeiro, foi formado Adão, depois, Eva. E Adão não foi iludido, mas a mulher, sendo enganada, caiu em transgressão.” Ora, não há muitas passagens na Bíblia mais desajustadas da cultura moderna do que esta. Essa é uma das razões pelas quais recebemos tantas perguntas sobre ela.
Este texto levanta pelo menos cinquenta questões, e é por isso que Wayne Grudem e eu tentamos sintetizar nosso grande livro azul sobre masculinidade e feminilidade em um pequeno livro chamado 50 Perguntas Cruciais sobre Masculinidade e Feminilidade . Tem menos de cem páginas, e eu o recomendo porque é a melhor chance dele e minha de reunir em um pequeno conjunto cinquenta tipos de perguntas que as pessoas podem fazer sobre esse assunto. Então, falando sério, eu adoraria que as pessoas o lessem.
(E lembre-se, eu não recebo royalties por esses livros. Isso não é uma proposta para fazer meus livros venderem. Eles não vendem muito. Você estaria se dando um belo presente, eu acho, se você se conectar e mergulhar nessas cinquenta perguntas.)
Talvez eu consiga responder a uma ou duas dessas perguntas neste episódio, o que deixará 48 perguntas sem resposta. E eu realmente espero que os ouvintes busquem respostas bíblicas, não apenas respostas culturalmente aceitáveis.
Autoridade e a Ordem Criada
Então, é aqui que eu começo. Quando Paulo apoiou sua afirmação de que uma mulher não deveria ensinar ou ter autoridade sobre um homem, seu apoio não foi argumentar a partir da cultura, mas da criação. É aí que eu começo. Ele não disse algo como: “Bem, nesta cultura, nesta cultura do primeiro século, espera-se que as mulheres sejam submissas — então, como a igreja não deve colocar uma pedra de tropeço no caminho do evangelho, devemos concordar com isso por enquanto”. Não foi assim que ele argumentou. Ele argumentou apontando para Adão e Eva e o desígnio de Deus para a masculinidade e a feminilidade na maneira como Ele criou e ordenou o mundo no princípio. Esse desígnio permeia todas as culturas (embora, é claro, seja inevitavelmente influenciado em sua forma por essas culturas; veremos isso em breve). É aí que eu começo.
A Bíblia está muito ciente do papel da cultura na formação dos símbolos da liderança do homem e da submissão da mulher. Você pode ver isso em 1 Coríntios 11.3-16, onde Paulo aborda o uso de véus e o comprimento do cabelo. Deus espera que tenhamos discernimento espiritual para não jogarmos fora o bebê dos desígnios de Deus para as diferenças sexuais com a água da banheira das mudanças nos símbolos culturais e todas as implicações que isso tem para o nosso modo de viver.
Em seguida, passo do fundamento da masculinidade e feminilidade na criação para a explicação de Paulo sobre como isso se desenvolveu no lar, na igreja e, por fim, em toda a vida. Em Efésios 5, Paulo argumenta novamente, partindo da criação, que, na família, os homens devem ser o cabeça de suas esposas e amá-las como Cristo amou a igreja, e as mulheres devem estar sujeitas a essa liderança da mesma forma que uma igreja alegre e gloriosa está sujeita a Cristo.
E então, em relação à igreja, em 1 Timóteo 2.12, as mulheres não devem ensinar ou ter autoridade sobre os homens. E eu acho que a primeira e mais clara implicação desse versículo é perceber que essas duas ações, ensinar e ter autoridade, são as duas ações que distinguem um presbítero ou pastor (esses são o mesmo ofício na mente de Paulo) do outro ofício da igreja — ou seja, os diáconos. Se você comparar a lista de qualificações exigidas para o presbítero ou bispo ou pastor, “apto para ensinar” e “apto para governar” (ou exercer autoridade) sabiamente na igreja são as duas coisas que distinguem o presbítero do diácono. Vemos a primeira qualificação em 1 Timóteo 3.2 e a segunda qualificação em 1 Timóteo 5.17: “Os presbíteros que governam bem sejam considerados dignos de duplicada honra.”
Portanto, concluo que, para Paulo na igreja, a primeira e mais clara implicação da ordem criada de homem e mulher é que homens espiritualmente qualificados, e não mulheres, devem ser os presbíteros, os pastores da igreja, e sua tarefa central é fornecer orientação e ensino autoritativo à igreja como parte de sua autoridade e liderança geral.
Mulheres e Ministério Frutífero
Creio que se pode argumentar que, quando Paulo disse que as mulheres não deveriam ensinar, ele não se referia a todo tipo de ensino em todas as situações, mas, sim, via o ensino em 1 Timóteo 2.12 como combinado com o exercício de autoridade sobre os homens. Portanto, o ensino em questão era especificamente direcionado aos homens, e ainda mais especificamente um ensino que incorporasse um tipo de autoridade que o tornaria impróprio para os homens receberem se uma mulher o fizesse.
O argumento para isso incluiria, por exemplo, observações como Provérbios 31.26, que fala de uma mulher tendo “instrução da bondade” em seus lábios. Tito 2.3-5 fala de mulheres ensinando mulheres mais jovens. 1 Coríntios 11.5 fala de mulheres profetizando na igreja com símbolos apropriados de submissão. Atos 18.26 fala de Priscila e Áquila corrigindo Apolo em um ambiente privado para lhe dar um ensino mais preciso. 2 Timóteo 1.5 e 3.14 lembram Timóteo do ensinamento que moldou sua vida e que ele recebeu de sua mãe e avó. E 1 Pedro 3.1-6 descreve a submissão de uma mulher ao seu marido de tal forma que ela está claramente pensando por si mesma em não seguir seu marido na incredulidade ou no pecado.
Então, o que isso implica sobre o ministério mais amplo das mulheres, especialmente no que diz respeito ao ensino e à liderança? Lembrem-se: ainda há 48 perguntas sem resposta, mas tentarei encerrar com uma declaração geral que espero que sirva de orientação para a aplicação mais ampla desta verdade bíblica que vimos.
A maturidade espiritual da mulher deve desencorajá-la a aceitar oportunidades de ensinar homens (incluindo grupos mistos de adultos) onde quer que essa função represente o tipo de engajamento autoritário que se assemelharia ao ensino e à autoridade de um pastor na igreja. Esse é o princípio que tento seguir.
Ou, para colocar de forma positiva, mulheres espirituais devem preencher suas vidas com ministérios que exaltam a Cristo, que acompanham a liderança de homens espirituais e encontram sua fecundidade em maneiras que apoiam e complementam essa liderança. Há uma adequação na natureza das coisas, em virtude da criação e do desígnio de Deus, que faz com que as mulheres floresçam sob a liderança forte, humilde e espiritual de homens, o que não se aplica a homens sob a liderança de mulheres. Creio que isso está implícito nesses textos. E não se trata de uma questão de competência e habilidades. É uma questão do que se aprofunda na alma de um homem e de uma mulher à medida que descobrem a maneira como Deus os projetou para se relacionarem.
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