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Vinícius Musselman Pimentel – Minhas Impressões Pessoais sobre o 1º Módulo do CFL

No último sábado (3 de Março) a Editora Fiel organizou o primeiro módulo do Curso de Liderança Fiel sobre o tema “As 9 Marcas da Igreja Saudável”, sendo neste módulo tratado as duas primeiras marcas “Pregação Expositiva” e “Teologia Bíblica”.

O que é Uma Igreja Saudável?

Porém, meu relato começa na sexta-feira, dia 02. Neste dia a chancelaria do Mackenzie, junto com a Editora Fiel, organizou um evento introdutório ao curso, no qual Mark Dever palestrou sobre “O que é uma Igreja Saudável?”. Foi uma excelente introdução ao assunto das 9 Marcas. Nele, Dever mostrou primeiramente que o tema não é atual e que ao longo da história vários cristãos se importaram com o assunto. Ele ilustrou tal fato com o Credo Niceno-Constantinopolitano, o qual afirma que a Igreja é “Una, Santa, Católica [ou universal] e Apostólica [fundamentada nos ensinos dos apóstolos]”, e com a convicção da Reforma de que a Igreja é caracterizada pela pregação fiel da Palavra de Deus e a administração fiel dos sacramentos. Então, não devemos ignorar aqueles que vieram antes de nós na busca por numa igreja saudável.

Depois, Dever falou da importância deste assunto e basicamente podemos resumir na frase “a igreja local testemunhará sobre a reputação do nome do próprio Deus”. Logo, uma igreja débil desonrará o nome de Deus diante do mundo.

Sendo assim, Dever nos desafiou a deixarmos os modelos baseados em sucesso, onde qualquer coisa é válida para que evangelizemos o perdido, e adotarmos um modelo baseado em fidelidade, crendo que Deus trará os frutos conforme sua vontade.

Por fim, Dever brevemente falou sobre as 9 marcas. Você pode ler mais disso aqui:  9 Marcas – Introdução

Infelizmente, o auditório não estava tão cheio, o que pode indicar uma noção equivocada de que somente os líderes da igreja devem se importar com tal assunto. Isto é provavelmente fruto da influência pagã de que o culto é somente um compromisso religioso o qual atendemos semanalmente – e isso é a igreja. Se este é seu pensamento, então você não entende que a igreja é o corpo de Cristo, do qual todo cristão faz parte individualmente. A saúde espiritual da sua igreja é a sua saúde e a sua saúde é a saúde de sua igreja.

Pregação Expositiva

Depois, voltei com o pessoal da Fiel para São José dos Campos, após nos perdermos um pouco em São Paulo e comermos algo. Tem como não se perder em São Paulo? Síndrome de gente do interioR (os que são do interior entenderão o R maiúsculo).

Cedo no próximo dia, fomos para a Fiel e com o tempo o auditório organizado pela Fiel foi se enchendo. Havia líderes de todo Brasil, literalmente. Irmãos do Rio, de Pernambuco, sem contar uma pergunta que chegou do Japão! Foi animador ver que vários líderes do Brasil inteiro estavam preocupados em ter um igreja saudável.

Mark Dever lecionou sobre a primeira marca em quatro aulas sobre Pregação Expositiva: (1) “Por Quê?”, (2) “O que é?”, (3) “Como?” e (4) “Modelo”. Resumidamente, eu diria que (1) o porquê de pregarmos expositivamente se encontra no fato de que é a melhor forma de alimentar o povo de Deus com a Palavra, minimizando pregações constantes sobre temas de agrado do pregador, entre outras vantagens; (2) a definição da pregação expositiva se sintetiza na expressão “o ponto da passagem é o ponto da mensagem”.

Durante a minsitração do Dever, foi nitido o desejo comum de todos de participarem e edificarem suas igrejas ao ponto de serem saudáveis. Muitas dúvidas surgiram relacionadas às questões práticas, como: conhecimento das línguas originais, uso de multimídia. Havia um interesse genuíno de ter uma igreja baseada na Palavra.

Na última aula, Dever usou uma pregação dele em Tiago 2, mostrando como ele pegou o tema da passagem e o deixou de forma simples para os ouvintes entenderem. Foi muito bom, principalmente porque Dever mostrou que o famoso capítulo sobre “fé sem obras” não contraria a justificação pela fé somente. Como faz diferença você enxerga “fé sem obras” no contexto maior do capítulo 2 e de todo livro! É isso que a pregação expositiva faz, principalmente quando feita através de um livro inteiro. Ela reduz os entendimentos do texto sem seu contexto.

Intervalo

Após as aulas fui almoçar em um restaurante próximo juntamente com o pessoal da Fiel, Mark Dever e Jaime Owens (assistente do Dever). No caminho conversei tanto com Jaime, quanto com Mark. Ambos são muito simpáticos. Uma das perguntas que fiz a Dever foi sobre jovens que frequentavam igrejas não-saudáveis. A resposta dele foi bem simples: “Os pais vão à igreja? Se não, saiam.” Posto isso aqui não para causar uma debandada das igrejas. Mas, se você frequenta uma igreja onde nem mesmo o Evangelho é pregado, então, infelizmente, creio que você deve considerar, sim, sair da “igreja”. Principalmente, se você já buscou conversar amorosamente com os líderes da igreja.

Teologia Bíblica

Após o intervalo, Augustus Nicodemus lecionou em três aulas sobre o tema “Teologia Bíblica”. Os títulos das aulas foram: (1) “Inerrância Bíblica”; (2) “Importância da Interpretação Bíblica”; (3) “Cartas Paulinas, um estudo de caso”. Nicodemus falou sobre a importância da questão da inerrância. Inerrância Bíblica, usando os termos que Nicodemus sugeriu para a Declaração de Fé da World Reformed Fellowship (Fraternidade Reformada Global), do qual ele faz parte do comitê de teologia, significa que “a Bíblia é verdadeira em tudo o que afirma”, ou, usando as palavras de Jesus, “as Escrituras não podem falhar”. Isso decorre do entendimento de que as Escrituras são expiradas (ou inspiradas) por Deus como Paulo afirma em sua carta a Timóteo. Esta crença é fundamental para uma teologia bíblia.

Já quanto à importância da interpretação bíblia, Nicodemus falou sobre o método histórico-gramatical, o qual está fundamentado na crença de que o a Bíblia é tanto divina, pois foi inspirada por Deus – motivo pelo qual devemos orar ao prepararmos um sermão – quanto humana, pois Deus utilizou homens vivendo em épocas e com estilos literários diferentes – motivo pelo qual devemos labutar na preparação do sermão. Você pode ler mais sobre o assunto nesta postagem de Nicodemus em sue blog: “Por que prefiro o Método Gramático-Histórico de Interpretação”.

Penso eu que os pregadores do Brasil precisam muito aprender sobre o método gramático-histórico. Chega de “para você receber sua vitória, junte suas 5 pedrinhas, como Davi, e Deus me falou que as pedrinhas são: dízimo, ofertas, fidelidade ao líder, unção apostólica e profecia da vitória”.

Por fim, em um sentido foi encorajador ver vários líderes, lá presentes, interessados em alimentar o povo de Deus com a Palavra de Deus devidamente exposta. Mas há muito o que fazer e cada líder ou membro de igreja tem seu papel. Lembremos que:

De maneira que, se um membro padece, todos os membros padecem com ele; e, se um membro é honrado, todos os membros se regozijam com ele. (1 Coríntios 12:26-27)

Saiba mais

Obviamente, muito poderia ser dito sobre os assuntos acima, mas gostaria de fazer algumas recomendações.

1) Recomendo que você se inscreva no curso. A Editora Fiel transmitirá os módulos online gratuitamente, mas se você se inscrever terá acesso a área do aluno onde estão disponíveis os vídeos das palestras, material de apoio, e-book nove marcas e também receberá o diploma ao final do curso. Saiba mais na página do Curso de Liderança Fiel.

2) Adquira os livros 9 Marcas da Igreja Saudável, de Mark Dever.

3) Se você não tem a mínima ideia sobre o que é pregar expositivamente recomendo começar com os livros do Stuart Olyott: Pregação  Pura e SimplesMinistrando como o Mestre

4) Se você quer começar a entender sobre teologia bíblica recomendo inicialmente o livro O Deus Presente, de D. A. Carson que tratará sobre a pessoa de Deus. Só uma observação: até onde entendi, Dever não cunha o termo técnico de teologia bíblia (como uma vertente distinta da teologia sistemática, por exemplo), mas significando que nossa teologia deve ser fundamentada na bíblia.

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2 Comentários
  1. Horácio Carvalho Diz

    Estive lá presente e confirmo que foi um dia muito edificante e especial, pudemos aprender bastante…Deus abençoe.

  2. Vinícius S. Pimentel Diz

    Vini,

    Pelas minhas leituras de Dever, também observo que ele não usa o termo “teologia bíblica” no sentido técnico, mas no sentido simples de “uma teologia que seja verdadeiramente extraída da Bíblia”. Já o livro do Carson, pelo que ouvi falar, esse seria sim uma espécie de teologia bíblica no sentido estrito do termo.

    Depois de ler as suas impressões, me arrependi de não ter me inscrito no CFL!

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