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Bobby Jamieson – Como Mudar Sua Igreja (3/4)

Sabemos que muitos dos leitores do VE foram despertados para o Evangelho, mas se encontram em igrejas onde o mesmo não aconteceu. Então surge a dúvida: sair ou lutar por uma reforma? Esta série de postagens de Bobby Jamieson, do ministério 9 Marcas, traz certa sobriedade ao assunto. Antes de você tomar alguma decisão, sugiro que você espere as quatro postagens e esteja em oração.

  1. Porque Você Não Pode Mudar Sua Igreja
  2. Quando você pode mudar sua igreja?
  3. Como Mudar Sua Igreja
  4. Como Viver Com o Que Você Não Consegue Mudar

Em meu primeiro post nesta série eu argumentei que o curso normal das coisas, se você não é o pastor de sua igreja, você não pode mudar sua igreja de nenhuma maneira fundamental. No segundo post eu explorei diversas aparentes exceções a isto, incluindo algumas que são de fato exceções.

Neste post, eu quero responder à pergunta: “Tudo bem, o que eu posso fazer se eu estou numa igreja que precisa seriamente mudar?”

Obviamente, não existe uma resposta que caiba para toda situação. Toda igreja é diferente, e toda pessoa fazendo a pergunta é diferente. Então neste post eu não estou dando direções universais e absolutas. Também não estou tentando falar para cada situação neste mundo. Ao invés disso, tentarei oferecer algumas sugestões que deveriam ser aplicadas muito bem para muitas pessoas em muitas igrejas.

Como Mudar Sua Igreja

Primeiro, um princípio geral: encontre o máximo de denominadores comuns que você puder com sua igreja e seus líderes, e invista o máximo de energia que puder trabalhando nestes denominadores comuns.

Se você discorda dos líderes de sua igreja sobre a eleição, pelo menos você concorda com eles que as pessoas precisam crer no evangelho e serem salvas — então evangelize. Se você discorda da abordagem programática da igreja ao ministério, pelo menos você concorda que programas são feitos para servir as pessoas e ajudá-las a amadurecer em Cristo — então sirva aos outros e faça discípulos, quer seja através de um programa ou não.

Meu ponto é que é fácil ficar fixado nos 10 por cento que você discorda e ignorar os 90 por cento que você concorda — e as maneiras incontáveis que você pode alegremente ministrar junto baseando-se nestes 90 por cento. E se for mais uma divisão de 50-50? Eu vou abordar isso brevemente no meu post final desta série.

Agora vamos a algumas especificações. Eis aqui vários ministérios que a maioria das pessoas na maioria das igrejas podem exercitar que devem, pela graça de Deus, ajudar a igreja a crescer em saúde.

1. O Ministério do Banco

Primeiro, o ministério do banco. (Eu incentivaria você a dar uma olhada no excelente artigo* de Colin Marshall sobre o assunto). A ideia básica aqui é que toda reunião da igreja é uma oportunidade de servir aos outros. É uma oportunidade de dar as boas vindas a um visitante, de compartilhar o evangelho com um não-cristão que veio com um amigo, de ajudar a fazer as coisas acontecerem nos bastidores, de descobrir e carregar os fardos dos outros, e de provocar o amor e as boas obras nos outros (Hebreus 10:24-25).

 Então deixe de ser um consumidor e passe a ser um produtor. Não veja a igreja como um tempo para experiência religiosa particular, mas como uma oportunidade rara e preciosa de servir tantas pessoas em tão curto tempo.

Se sua igreja sofre da síndrome dos 20/80 — 20 por cento de pessoas fazem 80 por cento do trabalho — então seu ministério do banco não vai apenas ajudar ministérios necessários a serem realizados, mas também dar um exemplo para que os outros sigam. Com o tempo, quem sabe quantas pessoas você poderá discipular a cumprir um serviço mais ativo e altruísta na igreja? Mais sobre isso abaixo.

Finalmente, esse tipo de serviço silencioso, diligente e de iniciativa é justo o tipo de coisa que, com o tempo, ganha respeito, confiança, e às vezes até mesmo ouvidos para novas ideias.

2. O Ministério da Comissão de Indicação

Segundo, o ministério da comissão de indicação. Obviamente, poucas pessoas terão a chance de sentar em uma comissão de indicação pastoral. (Na verdade, eu não penso que as igrejas deveriam sequer ter “comissões de indicação”, mas esta é outra história* — e nós temos de fazer o que podemos com o que temos). Mas se sua igreja está em necessidade de um pastor principal de pregação, não há maneira mais estratégica de mudar sua igreja do que trabalhar para chamar um fiel e piedoso expositor da Palavra.

Em uma comissão de indicação, um pouco de liderança pode ir longe. Então sugira que você comece com a recomendação de um pastor confiável ao invés de carregar montes de currículos. Isso pode obter aprovação, mesmo que apenas por reduzir a carga de trabalho da comissão. E proponha uma lista bíblica de qualificações e prioridades logo no início. Isso pode colocar o foco da comissão na direção certa, e também ajudar a prevenir preferências antibíblicas de detonar a candidatura de um homem piedoso e qualificado.

Mas meu ponto principal é: seja lá como você possa influenciar de maneira lógica na escolha do próximo pastor de sua igreja, faça. Claro que nem todos terão a oportunidade de estar na comissão de indicação, mas na maioria das igrejas, cada membro terá algum tipo de opinião sobre quem o próximo pastor será. Então administre — e manobre — esta responsabilidade com sabedoria.

3. O Ministério da Oração

Terceiro, o ministério da oração. Ore a Deus pelo presente que é sua igreja. Adore-o por seu maravilhoso plano de chamar para si um povo para sua glória, e sua promessa de nunca deixar sua igreja ou deixar Satanás vencer sobre ela.

E, ainda mais ao ponto, dê graças por sua igreja. Ações de graça puxam a amargura e a reclamação pelas raízes — e se você apaixonadamente quer mudar sua igreja, estas tentações estarão sempre à espreita. Então dê graças por cada evidência da graça de Deus na igreja que você possa imaginar.

Confesse seus próprios pecados, as maneiras pelas quais você foi injusto com a igreja. E interceda por sua igreja. Peça a Deus para dar a toda sua igreja discernimento, amor, unidade, humildade, paciência. Peça a Deus para dar aos seus líderes sabedoria e coragem. Peça a Deus para cultivar na sua igreja o entendimento e a obediência à sua Palavra. Ore constantemente. E confie que Deus irá trabalhar.

Você pode não ser capaz de mudar sua igreja, mas Deus é. Então ore.

4. O Ministério do Discipulado Pessoal

Quarto, o ministério do discipulado pessoal. Ao invés de se concentrar no que está errado com “a igreja”, concentre-se em como você pode ajudar membros individuais da igreja a crescer em graça. Você pode mudar sua igreja ajudando membros a crescerem em seu entendimento das Escrituras, do amor de Cristo, do amor pela igreja, do serviço às suas famílias, da ousadia no evangelismo, e mais.

E você não precisa pedir a permissão de ninguém para começar a discipular. Apenas comece a buscar o bem espiritual dos outros. Construa relacionamentos que sejam centralizados em ajudar uns aos outros mutuamente a crescer em Cristo. Leia livros da Bíblia com outros membros da igreja depois do almoço ou no fim de semana. Faça perguntas de exame espiritual e dê o exemplo aos outros através de sua própria transparência e humildade.

Em suma, talvez a única maneira mais efetiva pela qual você pode mudar sua igreja é pessoalmente ajudar aos outros a serem conformados à imagem de Cristo.

5. O Ministério do Exemplo Pessoal

Quinto e último, o ministério do exemplo pessoal. Uma das maneiras mais efetivas de mudar uma igreja é crescer constantemente em Cristo e deliberadamente servir como modelo para os outros. É claro que isso anda de mãos dadas com o discipulado.

Você pode não ser capaz de mudar a estrutura de liderança de sua igreja, mas você pode servir de exemplo de submissão humilde aos seus líderes e tornar o trabalho deles uma alegria (Hebreus 13:17). Você pode não ser capaz de converter seu pastor para a pregação expositiva, mas você pode ser modelo de um amor infeccioso pelas Escrituras que respingue sobre os outros.

Você não quer servir de modelo de uma maneira que crie uma pequena tropa de discípulos que são mais devotos a você do que à igreja. Ao invés disso, seu exemplo deve ter justamente o efeito contrário. Sua vida deve ser tamanho modelo de serviço fiel que constrói unidade na igreja, que o que as outras pessoas aprendem de seu exemplo não é apenas como crescer em piedade pessoal, mas como ser um bom membro de igreja.

Em outras palavras, você deve ser o tipo de exemplo que, se todos na igreja o seguissem, você tornaria sua igreja mais saudável, mais unida, e mais comprometida com o bem do outro.

Mais Uma Ponta Solta

Você pode não ser capaz de mudar tudo o que quiser em sua igreja, mas penso que esta lista é mais do que suficiente para manter a maioria de nós ocupados.

Há ainda uma ponta solta que eu quero amarrar: como você lida com humildade e contentamento com uma igreja que tem sérios problemas e que provavelmente não irá mudar? Eu posso oferecer apenas a mais breve e geral de todas as respostas, mas espero fazer isso no meu post final desta série.

Por Bobby Jamieson. Copyright © 2012 9Marks. Website: 9marks.orgOriginal: How to Change Your Church (Part 3 of 4)

Tradução: voltemosaoevangelho.com

Permissões: Você está autorizado e incentivado a reproduzir e distribuir este material em qualquer formato, desde que informe o autor, seu ministério e o tradutor, não altere o conteúdo original e não o utilize para fins comerciais.

*N. do T.: Em inglês.

11 Comentários
  1. João Marcus Diz

    Excelente! =)

  2. José Eduardo Diz

    Este artigo aqui foi o que respondeu a muitas perguntas. Nestes dias tenho conversado com irmãos preocupados com os sermões e o discipulado na igreja, de como ajudar os irmãos a examinarem as Escrituras e deixar de lado certos misticismos e discursos de auto ajuda. Mas existe algo complexo numa questão colocada aqui. No ponto “Exemplo Pessoal” e há implicito a estar de forma ativa em certos trabalhos autamente confrontantes para os que desejam uma reforma. Como músico vejo uma dificuldade enorme em atuar na equipe , uma vez que de um modo geral o que se canta está de várias forma ligado as escolhas do lider e esta é uma das maiores tensões hoje. No meu caso, não atuar no “meu ministério” tem sido para muitos uma falta de exemplo, mas por outro lado não estou mais disposto a cantar coisas frivolas. Isto é uma uma coisa que deixa sem ação as vezes. Se os irmãos puderem me ajudar nisto, eu agradeço.

    1. Jades Rogério Diz

      José Eduardo olhe meu comentário adiante…
      caso queira entrar em contato para conversarmos mais…
      [email protected]

  3. Lúcia Diz

    Eu penso que temos igrejas diferentes porque nascemos em
    lares diferentes, e até mesmos os irmãos não são iguais vindo dos mesmos pais. Nosso
    comportamento e visão do mundo e das pessoas vão depender muito daquilo que
    temos recebido em todo o percurso das nossas vidas.

    Com a educação que temos em nosso país fatalmente as igrejas
    têm a tendência de ter muitos problemas de fato. Mesmo porque nem todas as igrejas preparam
    pastores como tem que ser.

    Jesus cura? Cura sim. A questão é, será que todos estão
    abertos a mudança? Do ponto de vista de
    cada um não quer dizer que algo esteja errado, porque cada pessoa pode pensar
    que está certo e na verdade não está. A visão de igreja perfeita para alguns
    pode ser aquela que convém ao seu egoísmo e conforto pessoal.

    O perfeito amor não busca o seu próprio interesse e sim dos
    outros. Para mim isso resume muita coisa. A reforma da igreja precisa vir de
    pessoas que não tem brechas em sua vida, que tem ouvidos sensíveis ao que Deus
    quer falar, porque se for carnal, então, não terá respaldo de Deus para
    permanecer e continuar.

    Antes de começar uma reforma, precisamos perguntar ao Cabeça
    que é Cristo, se devemos começar, Como? Quando? porque afinal quem designou as
    autoridades foi Ele, Ele tem um plano pra cada membro e para o corpo da igreja,
    nossos dons e talentos são para a edificação do corpo, por essa razão não somos
    donos ou detentores de tudo o que planejou. Se começarmos um plano de reforma sem
    o aval de Cristo, podemos nos dar mal no final. Podemos interferir nos planos
    dele sendo tropeço ao invés de contribuir.

    A igreja precisa de uma reforma urgente. O “doar-se” é um
    princípio muito interessante que vocês colocaram porque isso produz em nosso
    coração a compaixão ao invés de divisão.

    Não podemos formatar a igreja do nosso jeito, mas, do jeito
    de Deus.

  4. Jades Rogério Diz

    Te entendo perfeitamente José Eduardo, também sou músico e já enfrentei esse dilema várias vezes. Pedi muita sabedoria a Deus do que deveria fazer, se deveria assumir a liderança quando surgisse a oportunidade, e achei q esse era o caminho, procurei dar exemplo e permanecer quieto até o dia em que fui questionado sobre a possibilidade de lider o grupo de louvor, e estranhamente respondi que não, não me via como lider não sentia essa direção do Espírito. Entendo que não se trata apenas do ministério de louvor, mas é um problema que toca toda a igreja por causa da visão do líder. Cheguei a um ponto em q eu já não me sentia mais ajudando eles a mudarem a visão mas aquilo que acontecia ali dentro já estava me fazendo mal. Orei e senti paz de sair e sai em paz com meus líderes continuando na igreja. Então fui questionado: “Irmão vai enterrar o seu dom!?” Eu apenas respondia: “Meu irmão não se trata de enterrar o dom, mas é a direção de Deus pra mim no momento”. Eu não entrava em detalhes pq sabia que naquele momento apenas iria gerar discussões como teve em outras ocasiões. Mas por outro lado sempre senti paz no meu coração de que se eu seguir a direção do Espírito o meu dom não será enterrado, na verdade eu não quero é “profanar” ou “prostituir” o meu dom contribuindo para algo que vejo que é errado. Hoje em dia ainda faço parte dessa igreja mas faço reuniões no lar onde levo o meu violão e posso além de abençoar outras vidas ser abençoado em servir da maneira como me sinto em paz no meu coração. Pode ser que um dia eu volte pro grupo de louvor da igreja, mas apenas se Deus me direcionar.

    Irmão ore e sei que Deus te direcionará, espero q meu testemunho tenha lhe fortificado, Deus te abençoe… se quiser entrar em contato comigo para conversarmos mais fique a vontade
    [email protected]
    http://www.facebook.com/jadesrogerio

  5. Thiago Simões Lacerda Diz

    MUITO BOM. Isso consola e estimula. Valeu, manos!

  6. justificacaopelafe Diz

    Glória a Deus por esse artigo. Isso é praticar equilíbrio na vida cristã. Deus é soberano e Ele está no controle de tudo, se cremos nisso então buscaremos o equilíbrio.

  7. José Eduardo Diz

    Jades, cara, muito obrigado pela disponibilidade em me ajudar nesta questão. Existem coisas em que você está passivamente envolvido. Por exemplo, um doas artigos da série mostra o caso de que se a igreja está envolvida no evangelismo eu posso estar não passivamente nele uma vez que eu posso fazer uma abordagem pessoal. Mas a casos como a música para que aqueles que estão na função “oficial” (se posso assim dizer) de executar e estão passivamente de baixo das demandas do seu lider. Vou manter este contato sim com o irmão, vlw pela disponibilidade.

  8. João Bosco Vieira Diz

    Seria possível, ao fim das quatro publicações, formatarem elas juntas em um pdf pra baixar? Seria uma maravilha! Obrigado

  9. Wallace Rosa Diz

    Inicio meu comentário elogiando o site, fabuloso! Eu estive confuso quanto as questões que envolvem o evangelho nos últimos 2 anos (me virei, nesse tempo, totalmente contra o movimento evangélico de forma geral por considerá-lo vazio de Deus, o que não é verdade e que por mais que os escândalos venham de muitos o Senhor zela pela sua palavra e seu povo) e esse site, sem dúvida alguma, está sendo importante com suas mensagens desde que o Senhor me restaurou e tenho decidido viver em novidade de vida outra vez (eu estava tão confuso e, pior, tão “certo” em minha própria confusão que simplesmente abandonei aos poucos e meio que sem perceber o viver segundo Cristo). Este blog está sendo importante nessa trajetória, eu agradeço.

    OBS: É meu primeiro comentário nesse site.

  10. Emerson Diz

    muito bom… me ajudou bastante.

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