Jovem, você anda com os mais velhos ou só com o seu grupinho?

Vivemos em uma cultura que idolatra a juventude. Stephen Nichols, em seu artigo Uma cultura fascinada pela juventude afirma que:

A música popular, o barômetro da cultura popular, acompanhou essa tendência. Quase todas as bandas de heavy metal dos anos 80 e 90 tinham aquela conhecida melodia sobre jovens heróis caindo em um “esplendor de glória”. Outras referências da música pop enfatizam o poder invencível da juventude. Rod Stewart canta sobre ser “para sempre jovem” (“Forever Young”). Em seu hit de sucesso “We Are Young” (“Somos Jovens”), o grupo contemporâneo Fun declara que essa juventude vai “incendiar o mundo”. O narrador sentado no banco de um bar em “Glory Days” (“Dias de Glória”), de Bruce Springsteen, afoga as mágoas da sua meia-idade ao recontar suas façanhas e triunfos vividas no ensino médio. Nenhum de nós quer reviver os momentos difíceis do colégio, mas quem dentre nós não acolhe desejos secretos de ser jovem de novo e aparentemente capaz de conquistar o mundo?

Isso influenciou a igreja de, pelo menos, duas formas. A primeira é a segregação por faixa etária. Nichols escreve:

A idolatria da juventude infiltra-se até mesmo na igreja. Uma das maneiras de vermos isso é através da ênfase que é dada aos grupos de jovens da igreja. Curiosamente, Jonathan Edwards, em sua carta a Deborah Hathaway, conhecida como “Carta a uma jovem convertida”, a encorajou a se juntar a outros jovens na igreja para orarem juntos e discutirem sobre seus progressos na santificação, como uma forma de encorajar um ao outro. Resumindo, ele a estava chamando para começar um grupo de jovens. Os grupos de jovens podem servir um propósito significativo e podem ser um ministério importante. No entanto, ao fazer isso, eles podem estar separando os jovens das outras faixas etárias da igreja. A igreja precisa adorar, aprender e orar junta, velhos e jovens lado a lado. A cultura tenta empurrar o velho para fora. A igreja não pode fazer isso.

[…]

O caminho para sair da escravidão desta celebração indevida da juventude é promover uma comunidade verdadeiramente diversificada em nossas casas e em nossas igrejas. As lacunas entre as gerações podem ser desagradáveis e se tornar barreiras para que ambos os lados tenham uma comunhão genuína e autêntica. No entanto, Deus projetou a Sua Igreja de tal forma que precisamos uns dos outros. Paulo ordena especificamente a Timóteo que faça com que os mais velhos ensinem os mais jovens (Tito 2:1-4). Saímos perdendo quando pensamos que não temos nada para aprender com outras pessoas que estão em diferentes fases da vida. A igreja atual também perde quando pensa que não tem nada a aprender com a igreja de ontem.

A segunda é o menosprezo pela história da igreja. Nichols:

Visto que precisamos da sabedoria dos idosos no corpo de Cristo, precisamos também da sabedoria do passado. O mais novo nem sempre é melhor. Às vezes é pior; às vezes é errado. Como igreja, somos um povo com um passado. O Espírito Santo não foi dado exclusivamente à igreja do século XXI. Ignoramos ou desprezamos o passado para o nosso próprio prejuízo.

Nichols em seu artigo afirma que a  idolatria da juventude se manifesta em três áreas:

  1. exaltação dos jovens sobre os idosos
  2. uma visão do ser humano que valoriza a beleza externa
  3. domínio do mercado pelo grupo demográfico jovem

Leia o artigo completo

2013_TBT_03_March_200x1000Dr. Stephen J. Nichols é professor parceiro do Ministério Ligonier e professor de teologia e história da igreja na Lancaster Bible College em Lancaster, Pennsylvania. Ele é autor do livro Heaven on Earth: Capturing Jonathan Edwards’s Vision of Living in Between.

Por Stephen J. Nichols. Extraído do site www.ligonier.org. © 2013 Ligonier Ministries. Original: Youth-Driven Culture.

Este artigo faz parte da edição de Março de 2013 da revista Tabletalk sobre “Uma Cultura Fascinada pela Juventude”.

Tradução: Isabela Siqueira. Revisão: Renata Espírito Santo – © Ministério Fiel. Todos os direitos reservados. Website: www.MinisterioFiel.com.br. Original: Uma Cultura Fascinada pela JuventudeJovem, você anda com os mais velhos ou só com o seu grupinho?

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19 Comentários
  1. Izaias Diz

    Muitíssimo interessante, precisamos refletir sobre essa realidade na igreja…

  2. Giovani Lima da Rocha Diz

    "Saímos perdendo quando pensamos que não temos nada para aprender com outras pessoas que estão em diferentes fases da vida. Visto que precisamos da sabedoria dos idosos no corpo de Cristo, precisamos também da sabedoria do passado. O mais novo nem sempre é melhor. Às vezes é pior; às vezes é errado."

  3. Giovani Lima da Rocha Diz

    "Saímos perdendo quando pensamos que não temos nada para aprender com outras pessoas que estão em diferentes fases da vida. Visto que precisamos da sabedoria dos idosos no corpo de Cristo, precisamos também da sabedoria do passado. O mais novo nem sempre é melhor. Às vezes é pior; às vezes é errado."

  4. Rodrigo Lopes Gonçalves Diz

    Só estamos aqui hoje, porque existem velhos, idosos. Eles são a nossa memória, através deles é que sabemos quem somos. É com eles que aprendemos a não cometer os mesmos erros e a manutenção dos acertos. Quem somos nós sem a nossa história? Precismos valorizar os cabeças brancas, eles merecem nosso respeito. A Bíblia nos ensina isso, honrar pai e mãe, ouvir os anciãos, etc. Façamos isso! Just do it!

  5. Roberto Louzada Dias Diz

    Não procurar o aprendizado com os mais velhos, mais experientes é negar o que a Bíblia nos ensina sobre tal amor.

  6. Leandro Morais Almeida Diz

    precisamos aprender com o passado dos mais velhos, a experiência vividas por eles nos fará crescer muito mais pois nos indicará o caminho com menos barreiras.

  7. Rebeca Nascimento Diz

    Ameiiii …. amoidosos

  8. Regina Sena Diz

    De FATO! É uma absurda verdade! Enfim quem pode mudar? Só o Espírito Santo de Deus!

  9. Sergio Silveira da Silva Diz

    Eu e a Mari gostamos de estar com os jovens, principalmente por termos dois filhos jovens queridos. Mas também aprendemos, muito mais pelo amar do que pelo gostar, da necessidade de estarmos com os idosos, principalmente em função de minha mãe estar em uma geriatria, onde, por fim acabamos aprendendo muita coisa. Esta matéria nos faz refletir e, talvez, repensar, critérios e formas de vivências cristãs.

  10. Donizetti Teodoro Diz

    Aprendi muito com os meus Pastores eram homem de uma idade e com muitas experiancias, louvo a Deus por tudo isto.

  11. Elaine Medrado Diz

    Eu prefiro conversar com as pessoas mais maduras da igreja do que com os jovens. Os adultos e idosos tem mais perspectiva de mundo enquanto jovens e adolescentes pedem muito tempo pensando em coisas supérfluas. Precisamos aprender a sermos mulheres e homens virtuosos, aprendamos com os mais velhos.

  12. Elaine Medrado Diz

    Eu prefiro conversar com as pessoas mais maduras da igreja do que com os jovens. Os adultos e idosos tem mais perspectiva de mundo enquanto jovens e adolescentes pedem muito tempo pensando em coisas supérfluas. Precisamos aprender a sermos mulheres e homens virtuosos, aprendamos com os mais velhos.

  13. Marlen Pfort Diz

    É verdade, tenho refletido muito sobre isso. Quando convivemos com as pessoas idosas, ficamos mais sensíveis e atentos e nos lembra que a vida voa. Agradecemos o carinho de vcs, naqueles dias tão difíceis e longos da hospitalização da mãe do Werner. O convite prá jantar naquele lugar foi muito bom.
    Outro dia ouvi o Werner dizer pra alguém sobre a mãe dele que está na clínica: – Prá muitos é só mais uma velhinha, mas ela é a minha mãe. É tão importante os jovens conviverem com os idosos pra perceberem como devemos aproveitar a vida com sabedoria. Um abraço

  14. Maria Santana Diz

    Importante!

  15. Maxwell Diz

    O link tá quebrado para o artigo completo. Graça e Paz!

  16. Arthur de Souza Casemiro Diz

    irmãos não estou conseguindo entrar no artigo completo…alguém tem como me enviar ela completa ou o link onde posso encontrar?

  17. Carlos Eduardo Leticia Diz

    Isso é muito relativo

  18. Ivone Boechat Diz

    Para quem tem mais de 65
    anos

    Ivone Boechat (autora)

    1 – Tome posse da maturidade. A longevidade é uma
    bênção! Comemore! Ser maduro
    é um privilégio; é a última etapa da sua vida e se você acha que não
    soube viver as outras, não perca tempo, viva muito bem esta. Não fique
    falando toda hora: “estou velho”. Velho é coisa enguiçada. Idade não é
    pretexto para ninguém ficar velho. Engane a você mesmo sobre
    a sua idade, porque os psicólogos dizem que se vive de acordo com a idade declarada!

    2 – Perdoe a
    você antes de perdoar os outros. Se você falhou, pediu perdão? Deus já o perdoou
    e não se lembra mais. Mas você fica remoendo o passado… Não se importe com o
    julgamento dos outros. Só há dois times no Universo: o do Salvador e o do
    acusador. Neste último você sabe quem é
    goleiro. Continue no time do Salvador.

    3 – Viva
    com inteligência todo o seu tempo. Viva a sua
    vida, não a do seu marido, dos filhos, dos netos, dos parentes, dos vizinhos…
    Nem viva só pra eles, viva pra você também. Isto se chama amor próprio, aquilo
    que você sacrificou sempre! Nunca viva em função dos outros. Faça o seu projeto
    de vida!

    4 – Coma muito
    menos; durma o suficiente; não fique o dia inteiro, dormindo, dando desculpa de
    velhice. Tenha disciplina. Fale com muita sabedoria. Discipline sua voz: nem
    metálica, nem baixinha; seja agradável!

    5 – Poupe
    seus familiares e amigos das memórias do passado. Valorize o que foi bom. Experiências
    caóticas, traumas, fobias, neuroses, devem ser tratadas com o psicoterapeuta.
    Não transforme poltrona em divã, ouvido em descarga.

    6 – Não aborreça
    ninguém com o relatório das suas viagens. Elas são
    interessantes só pra quem viaja. Ninguém aguenta ouvir os relatórios e ver
    fotografias horas e horas. Comente apenas o destino e a duração da viagem, se
    alguém perguntar. Aprenda a fazer uma síntese de tudo, a não ser que seus
    amigos peçam mais detalhes. Se alguém perguntar mais alguma coisa, seja breve.

    7 – Escolha
    bons médicos. Não se automedique. Não há nada mais irritante do que um idoso
    metido a receitar remédio pra tudo o que o outro sente. Faça uma faxina na sua
    farmácia doméstica.

    8 – Não arrisque cirurgias plásticas rejuvenescedoras.
    Elas têm prazo curto de duração. A chance de você ficar mais feio é altíssima e a de ficar mais jovem é fugaz. Faça exercícios faciais. Socorra os músculos da sua face. Tome
    no mínimo oito copos de água por dia e o sol da manhã é indispensável. O crime
    não compensa, mas o creme compensa!

    9 – Use
    seu dinheiro com critério. Gaste em coisas importantes e evite economizar tanto com você.
    Tudo o que se economizar com você será para quem? No
    dia em que você morrer, vai ser uma feira
    de Caruaru na sua casa. Vão carregar tudo. Não darão valor a nada daquilo
    que você valorizou tanto: enfeites, penduricalhos, livros antigos, roupas
    usadas, bijuterias cafonas, ouro velho… prataria preta, troféus encardidos,
    placas de homenagens. Por que não doar as roupas, abrir um brechó ou vender
    todas as suas bugigangas, apurar um bom dinheiro e viajar?

    10 – A maturidade
    não lhe dá o direito de ser mal educado. Nada de encher o prato na casa dos
    outros ou no self-service (com os
    outros pagando); falar de boca cheia, ou palitar os dentes na mesa
    de refeições (insuportável).

    11 – Só masque chiclete sem testemunhas. Não corra o risco de acharem que você já está ruminando ou
    falando sozinho.

    12 – Aposentadoria
    não significa ociosidade. Você deve arranjar alguma ocupação interessante e que
    lhe dê prazer. Trabalhar traz muitas vantagens para a saúde
    mental, além do dinheiro extra para gastar, também com você.

    13 – Cuidado
    com a nostalgia e o otimismo. Pessoas amargas e tristes são chatíssimas,
    as alegres demais, também. Elogie os amigos, não fique exigindo explicações de
    tudo. Amigo é amigo.

    14 – Leia.
    Ainda há tempo para gostar de aprender. A maturidade pode lhe trazer
    sabedoria. Coloque-se no grupo sempre pronto para aprender. Não se apresente em
    lugar nenhum dizendo: sou muito experiente!

    15 – Não
    acredite nas pessoas que dizem que não tem nada demais o idoso usar
    roupas de jovens, cuidado. Vista-se bem, mas com discrição. Cuidado com a
    maquiagem, se for pesada, você vai ficar horrível.

    16 – Seja avó
    do seus netos, não a mãe nem a babá. Por isso nem pense em educá-los
    ou comprometer todo o seu tempo com as tarefas chatas de ir buscar na escola, levar a festinhas, natação,
    inglês, vôlei… Só nas emergências. Cuidado com aquela disponibilidade que
    torna os outros irresponsáveis.

    17 – Se
    alguém perguntar como vão seus netos, não precisa contar tuuuuuuuudo!
    Evite discorrer sobre a beleza rara e a inteligência excepcional deles. Cuidado com a idolatria de
    neto e o abandono dos filhos casados…

    18 – Não seja
    uma sogra chata. Nunca peça relatório de nada. Seu filho tem a família dele. Você agora é parente! Nunca,
    nunca, nunca mesmo, visite seus filhos sem que seja convidado.
    Se o filho ligar pra você, não diga: ah! lembrou finalmente da sua mãe? É
    melhor dizer: Deus o abençoe meu filho.

    19 – Cuidado em
    atender ao telefone: se a pessoa perguntar como você vai e você
    responder “estou levando a vida como Deus quer”; “a vida
    é dura”; “estou preparando a partida”; “estou vencendo a dureza”; você vai ver
    que as ligações dos amigos e dos parentes vão rarear, cada vez mais.

    20 – A
    maturidade é o auge da vida, porque você tem idade, juízo, experiência, tempo e
    capacidade para se relacionar melhor com as pessoas. Então delete do seu computador mental o vírus da inveja, do orgulho, da vaidade,
    promiscuidades, cobranças, coisas pequenas e frustrantes para tomar posse de
    tudo o que você sempre sonhou: a felicidade.

    Extraído do livro Educação-a força
    mágica de Ivone Boechat

  19. Alberto Costa Diz

    Deve-se dizer 2 coisas a respeito: primeiro, que não é apenas uma questão de gosto ou conveniência social ou cultural – quando dividimos a igreja em grupos estanques, a participação na Ceia do Senhor vira uma maldição sobre a igreja (I Co 11); segundo, nossa adesão acrítica à pedagogia humanista, com suas segmentações por sexo e por faixa etária (que até pode ser útil ao ensino de química), não apenas desfigura a igreja como desfigura as famílias. Daí, começamos com o “cultinho” e a escola dominical em que terceirizamos o ensino bíblico de nossos filhos e chegamos ao “culto jovem” (aquele no último domingo de cada mês, momento em que os velhos não comparecem “porque vai ter bateria”). Lá no final, temos 2 cultos por domingo: um com exposição bíblica tradicional, coral com beca, piano e órgão; outro com um sermão “maneiro”, grupo de louvor, bateria e guitarra. E, claro, a celebração da Ceia do Senhor em cada reunião, separadamente… Isso é o oposto da igreja descrita em Efésios 2 e 3… e o juízo virá, como prometido em I Co 11: muitos doentes e alguns que dormem…

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