Confissões de um pregador

Uma das coisas que mais me apaixona é pregar. Pregar mexe comigo como nenhuma outra coisa. O esforço para encontrar a passagem adequada, o sentido da passagem, e depois colocar este sentido em um formato fácil de explicar e de ser entendido; e o mais importante, poder espiritual para entregar a mensagem de maneira clara, direta, que fira as consciências, que levante os ânimos e que instrua as mentes; enfim, que seja instrumento na mão do Espírito Santo para glorificar a Deus e exaltar a Jesus Cristo.

Apesar de toda a preparação, é no momento da entrega que a verdade aparece. Quando estou no púlpito, com a Bíblia aberta, e centenas de rostos olhando pra mim em expectativa. Ali eu me sinto trêmulo, vacilante e frequentemente tímido. Tenho que superar o meu medo natural para anunciar com clareza e alta voz o sentido do texto bíblico e fazê-lo chegar até os corações e as mentes.

Durante a pregação, manter contato visual com as pessoas, perceber se estão seguindo, sendo encorajadas, se estão sendo abençoado ou se estão simplesmente se sentindo enfadonhas. Em seguida, ajustar o horário, as palavras, o tom, o timbre da voz, até que a palavra penetre finalmente por entre as barreiras, obstáculos e dificuldades que as pessoas levantam em suas mentes e aí seus corações quando vem a igreja.

E quando o sermão termina, não termina a minha tarefa. Sinto-me geralmente arrasado, fracassado, como quem fez um péssimo trabalho. Não poucas vezes vou pra casa procurando um buraco pra me esconder. E aí que tenho que orar, pedindo perdão a Deus, e suplicar que a palavra pregada, mesmo de forma imperfeita, seja usada por ele para converter e santificar. Um sentimento de vazio com frequência entra em meu coração, como alguém que não fez o que deveria ter feito direito.

As noites de domingo, na cama, são aquelas em que a insônia torna-se minha companheira.

Por: Augustus Nicodemus. © Voltemos ao Evangelho. Website: voltemosaoevangelho.com. Todos os direitos reservados. Original: Confissões de um pregador.

2 Comentários
  1. Marcílio Lopes Silva Diz

    Esse é o verdadeiro sentimento que devemos ter. Até que cheguemos ao objetivo de alcance o emissor deve estar sempre preocupado se a mensagem chegou ao seu destino com clareza e a tempo. O canal que somos nós portadores da mensagem que encaramos como divina deverá ser apto a traduzir suas reações, seus olhares e suas palavras em resultados. Me sinto como o senhor, reverendo Augustos, impotente frente a frustração de que não entreguei o que deveria entregar, não abordei o que tinha tanto planejado, anotado e repetido como exercício para decorar. Mas tenho um costume que talvez alguns tenham, me volto para meu primeiro público alvo, minha esposa e meu filho e lhes pergunto: como fui. Dada a avaliação deles vou entender se tive êxito, ou consegui alcançar o mínimo possivel.

  2. Alessandro Rodrigues Diz

    Paz do Senhor Pr Augustus Nicodemus. Nunca comentei nada sobre artigo algum apesar de ter lido muitos e ter sido edificado por vários. Mas hoje especialmente fui levado por Deus a fazê-lo. Já ouvi e li muitos artigos e pregações feitas pelo sr e sempre fui edificado. A maneira como Deus o usa com sabedoria para pregar e ensinar é admirável. Como os demais comentários, também não imaginava que pudesse acontecer com o sr o que acontece comigo quando me é dada a missão de pregar na igreja. Que bom que o sr resolveu compartilhar sua experiência. Sempre voltei para casa com a sensação que não falei tudo o que devia e da forma como deveria ter feito. Creio ser o temor e a consciência da responsabilidade que temos como porta vozes de Deus

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