O Ministério de Mulheres em Tito 2

Uma visão bíblica do Ministério de Mulheres afirma que para fazer discípulos é necessário ter prioridades, tais como a Palavra diz em Mateus 6.25-33.

Para a autora Marta Peace, seguem as perguntas:

Quem discipular? Pessoas na nossa comunidade estão ávidas por alimento. Há as que chegaram há pouco tempo na igreja, que não conhecem muito bem o Salvador, e há outras que andam tristes e preocupadas com uma situação familiar que a tem sobrecarregado, por exemplo. Também tem aquela que vai ser mãe pela primeira vez, e são tantas novidades, que seria bom alguém com um pouco mais de experiência e conhecimento, poder lhe mostrar como ser uma boa mãe. É importante perceber que aquilo que pensamos ser pouco a oferecer poderá ser precioso para outra pessoa.

O que ensinar? A Palavra de Deus deve ser o centro e o motivo do discipulado. Lembrar que amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a si mesmo, são mandamentos explícitos. Nosso foco é Cristo. Vamos aprender dele e nos conformar a Ele para a glória de Deus. Por isso e tão necessário estarmos saturadas da Palavra de Deus, para podermos transbordar das Escrituras. Quando usar a leitura em conjunto de um livro, como ferramenta, sempre discutir o livro à luz das Escrituras.

Portanto, é necessário sempre ter em vista três áreas:

  1. a) Doutrina – é aquilo que a Bíblia ensina sobre determinado assunto. É sempre fundamental que saibamos “manejar bem a palavra da verdade” (2 Timóteo 2.15).
  2. b) Caráter – é uma limpeza constante para que possamos dar mais fruto (João 15.2), ou ainda, como disciplina, para que eu seja participante de Sua santidade (Hebreus 12.10). A bênção é saber que “Deus dá graça aos humildes” (Tiago4.6). Para o Senhor, é muito importante que eu ande humildemente com Ele. (Malaquias 6.8).
  3. c) Ministério – Devo realizar a função, servindo ao Senhor com alegria e frutificando em toda boa obra (Colossenses 1.10; João 15.8).

O alvo do ministério é ajudar as mulheres a amadurecer ao ponto de elas poderem, com a graça de Deus, ajudar outras mulheres, de modo que agradem e honrem ao Senhor Jesus Cristo.

Há, ainda algumas maneiras pelas quais as mulheres devem estar envolvidas nas vidas umas das outras, o que pode ser conferido nos textos a seguir: Quais alguns aspectos que vemos esse envolvimento?

Amar – “O segundo, semelhante a este, é: Amarás o teu próximo como a ti mesmo” (Mateus 22.39; cf. 1João 4.7).

Ajudar, dividindo a carga – “Levai as cargas um dos outros e, assim, cumprireis a lei de Cristo” (Gálatas 6.2).

Exortar, em amor; consolar, amparar e ser longânime (Hebreus 3.13; 1Tessalonicenses 5.14,15).

Fazer o bem à irmã na fé – “Por isso, enquanto tivermos oportunidade, façamos o bem a todos, mas principalmente aos da família da fé” (Gálatas 6.9).

Suzan Hunt e Kristie Anyabwile, expõem uma reflexão sobre a história da redenção. Esta, começou antes do início, quando Deus nos escolheu em Cristo para sermos seus e refletirmos a sua glória (Efésios 1.4, 6). Então, Ele criou o homem e a mulher à Sua imagem: “homem e mulher os criou” (Gênesis 1.27).

A primeira mulher era perfeitamente feliz sendo a auxiliadora que ela foi criada para ser, até Satanás inverter a ordem da criação e ir até ela, tentando-a a questionar e desobedecer a ordem de Deus. Quando ela e, em seguida, seu marido comeram do fruto proibido, eles se tornaram transgressores da aliança. No entanto, antes da criação, o Pai, o Filho e o Espírito Santo fizeram um pacto para redimir um povo, e o Deus trino é o guardião da aliança. Ele não os abandonou em seu pecado e miséria. Ele prometeu que a descendência da mulher derrotaria Satanás (Gênesis 3.15). Em resposta a essa primeira revelação do pacto da graça, Adão deu o nome de Eva à sua mulher, por ser a mãe de todos os seres humanos” (v.20)

O chamado redentivo para Eva ser uma doadora de vida, não é algo apenas biológico. A vida de Cristo em nós permite que as mulheres deem vida ao invés de tomarem vida, em todos os relacionamentos, circunstâncias e períodos da vida. A graça de Deus nos capacita para nutrir a vida pactual – vida baseada nas promessas infalíveis de Deus para nós em Cristo – em nossas casas, igrejas, vizinhanças e locais de trabalho.

A redenção em Cristo dentro de um mundo decaído, o propósito na criação de viver para a glória de Deus, e o chamado redentivo para viver pactualmente são contraintuitivos e contra culturais. Como Caim, perguntamos: “Sou eu tutor de meu irmão”? (Gênesis 4.9). Precisamos ser discipulados na Palavra de Deus, que é exatamente o que Jesus comissionou sua igreja a fazer (Mateus 28.18-20).

Tito 2.3-5 torna essa comissão evangelística específica de gênero. Alguns discipulados – não todos, mas alguns – devem ser de mulher para mulher, porque uma das coisas que devemos ensinar é que Deus planejou a distinção de gênero e atribuiu funções a cada gênero especificamente. Tito 2 é sobre sermos tutoras de nossa irmã e discipulá-la a viver para a glória de Deus de acordo com Sua Palavra.

Tito 2 é uma parte da obediência da Igreja à Grande Comissão. Tito 2 é sobre sermos doadoras de vida. Ao renovar a minha mente para que eu visse a magnitude desse magnífico mandato, o Senhor me preparou para o passo seguinte nessa jornada.

Tito 2 começa assim: “Tu, porém, fala o que convém à sã doutrina”. Paulo escreveu isso a Tito, o pastor. A diretiva para mulheres discipularem mulheres é dada aos líderes da igreja. Tal ministério deve acontecer sob a supervisão deles e no controle da sã doutrina e da vida comunitária pactual, isto é, onde o princípio pactual de uma geração proclamando os atos poderosos de Deus à geração seguinte é praticando (Deuteronômio 6.1-9; Salmo 145.4; Salmo 78.1-7). A descrição de Paulo sobre esse tipo de discipulado é profunda e atemporal:

Todavia, nos tornamos carinhosos entre vós, qual ama que acaricia os próprios filhos; assim, querendo-vos muito, estávamos prontos a oferecer-vos não somente o evangelho de Deus, mas, igualmente, a própria vida; por isso que vos tornastes muito amados de nós. 1 Tessalonicenses 2.7, 8.

O discipulado pactual é educacional, relacional e transformacional. Mulheres precisam de mulheres maduras e piedosas para lhes instruir o que é bom, de acordo com a palavra de Deus. As mulheres precisam aprender a base teológica de nosso projeto de criação, os nossos papéis no lar e na igreja, e nosso chamado para sermos doadoras de vida em cada função e fase da vida.  As mulheres precisam de mulheres que compartilham suas vidas para instruí-las em como aplicar a Palavra em todas as áreas da vida – como amar os outros, cuidar de suas famílias, cultivar o senso de comunidade, trabalhar produtivamente e ter compaixão de acordo com a Palavra de Deus. Elas precisam de mulheres piedosas que, em oração e de forma contínua, orientem-nas para a suficiência das Escrituras em transformá-las de pessoas que tomam vida em pessoas que dão vida.

Tito 2.3-5 é um ministério de cuidados maternais. Isso acontece “quando uma mulher que possui fé e maturidade espiritual entra em um relacionamento de cuidado para com uma mulher mais jovem, a fim de encorajá-la e equipá-la para viver para a glória de Deus”. Uma mulher não precisa ser uma mãe biológica para ser uma mãe espiritual. A maternidade física é sacrificial. Assim também é a maternidade espiritual. Paulo apresenta um único motivo razoável para obedecer a tal chamado autos sacrificial: “Porquanto a graça de Deus se manifestou salvadora de todos os homens [pois estamos] aguardando a bendita esperança e a manifestação da glória do nosso grande Deus e Salvador Cristo Jesus” (Tito 2.11-13).

O Evangelho é o único motivo que nos incentivará a obediência por toda a vida – Jesus apareceu em graça e ele aparecerá em glória. Entre suas duas aparições nós devemos fazer discípulos.

Paulo também é rápido em nos assegurar que é o poder do evangelho, não o nosso poder de persuasão que salvará e santificará as mulheres que discipulamos. A passagem continua: “[..] nosso grande Deus e Salvador Jesus Cristo, o qual a si mesmo se deu por nós, a fim de remir-nos de toda iniquidade e purificar, para si mesmo, um povo exclusivamente seu, zeloso de boas obras” (Tito 2.13-14).

Jesus está redimindo e purificando o seu povo. Quando e como uma mulher responderá ou não, Deus fará suas obras redentoras e purificadoras em mim à medida que eu compartilhar o evangelho e minha vida com os outros.

Mesmo que a palavra idosa não seja literalmente quanto à idade cronológica avançada, é preciso pensar no amadurecimento nas áreas de doutrina, caráter e ministério para o Senhor. Instruir e encorajar as mulheres mais jovens.

Ao respondem ao questionamento: Afinal, quem são as mulheres mais velhas? As autoras afirmam que existem pelo menos 03 propostas na definição de quem devem ser consideradas “mais velhas”. Alguns dizem que a maturidade cristã marca a mulher mais velha. Outros dizem que todas nós podemos ser consideradas mais velhas do que alguém, por isso, em certo sentido, todas nós podemos ser consideradas mulheres mais velhas. Outros dizem que há uma exigência de idade, embora ninguém se atreva a sugerir um número.

Sabemos pelas Escrituras que aos 50 anos os deveres sacerdotais dos levitas no tabernáculo mudavam do trabalho manual para o apoio aos homens mais jovens que assumissem essas funções do dia a dia (Números 8.25.26). Sabemos que Noemi tinha idade suficiente para ter filhos crescidos (Rute 1.1-4) e estava, aparentemente, além da idade e capacidade de voltar a se casar e ter outros filhos (v.12) ou de fazer trabalho físico, visto que Rute foi sozinha apanhar as espigas nos campos de Boaz (Rute 2.2). A Bíblia elogia cabelos grisalhos e idade avançada (Provérbios 16.31; 20.29; Isaías 46.4). Isabel estava em idade avançada quando concebeu e, embora estivesse grávida ao mesmo tempo em que Maria, ela assumiu o papel de encorajadora da jovem (Lucas 1.36; 39.45,56). Sabemos também que as mulheres não podiam receber auxílio da igreja até que tivessem mais de 60 anos de idade (1Timóteo 5.9,10)

Importante dizer às mulheres mais velhas, que não se deixem desanimar por expectativas muito altas. Perceba que você tem sabedoria e experiência que podem falar diretamente às necessidades, mágoas e desejos das mulheres mais jovens. Mulheres mais velhas, muitas vezes expressam a preocupação de que não atenderão às altas expectativas que algumas mulheres mais jovens têm. Muitas vezes podemos ter expectativas irrealistas, não bíblicas, inflexíveis e autocentradas sobre as mulheres mais velhas. Porém, Cristo fez o que nunca poderíamos fazer por nós mesmas. Nossos esforços não nos podem garantir nenhum mérito diante dEle.

Reconhecemos que nossa maior questão não é se as mulheres devem trabalhar fora de casa, por exemplo, mas se as mulheres estão demonstrando santidade em seu trabalho dentro ou fora de casa. O que mais importa é que o fruto do Espírito Santo seja mostrado – amor, autocontrole, pureza, diligência, bondade, submissão, reverência. Esse foco na santidade demonstrado pelo fruto do Espírito permite que qualquer mulher – casada ou solteira – dê e receba esse ensino e treinamento. Limitamos a passagem de uma maneira antibíblica quando a tornamos exclusivamente sobre a vida doméstica. Tito 2 não é apenas sobre domesticidade. Trata-se da santidade que adorna o evangelho.

Muitas igrejas estão cheias de mulheres que querem se conectar com outras gerações, mas não sabem como. Algumas mulheres se detêm à sã doutrina básica, mas pensam de formas não bíblicas em relação à sua feminilidade. Talvez pensem que ter independência é ter poder e, por isso, não admitam a sua necessidade de uma mãe espiritual, mesmo para si. E há mulheres mais velhas que não se sentem qualificadas para falar às vidas das mulheres mais jovens. As igrejas locais devem refletir em oração sobre o desenvolvimento de uma estratégia para ensinar a razão do discipulado bíblico de Tito 2, e preparar as mulheres para este chamado, ajudando-as a se conectarem umas com as outras.

Há muita esperança para qualquer problema que as mulheres possam enfrentar. Para isso o Discipulado de Mulheres também pode ser um instrumento para que, pela graça de Deus e pela obediência à Sua Palavra, possam sair da angústia em que se encontram.

A mulher foi o clímax da criação original de Deus. Em Gênesis 1, ao fim de cada dia da criação, Deus caracterizava o que havia feito como “bom”, mas somente quando criou a mulher Ele declarou que “tudo que fizera era muito bom” (Gênesis 1.31).

As mulheres têm sofrido desde a entrada do pecado na condição humana, porque vive num mundo amaldiçoado pelo pecado (Romanos 3.23).

A Bíblia é clara sobre o fato de que as atitudes, os pensamentos e comportamentos da mulher impiedosa terão consequências. Quando a mulher andar de forma tola, a vida será difícil e a adversidade perseguirá seus passos. (Provérbios 13.15, 21).

Na Bíblia, Deus é revelado como criador do mundo, sustentador de Sua criação e redentor gracioso de Seu povo. Como Rei sobre todos os reis terrenos, Ele é absolutamente soberano em todas as questões da vida (Romanos 9.15-23; 1 Timóteo 6.15; Apocalipse 4.11).

Deus decidiu revelar alguns de Seus propósitos e planos na Bíblia, mas também decidiu de forma soberana manter segredo sobre muitas coisas que Ele ainda está fazendo e que pretende concretizar para nosso bem e para Sua glória (Deuteronômio 29.29).

Qualquer coisa que acontece é decorrente do plano perfeito de Deus para nossas vidas e porque Ele é um Deus santo, bom, justo e sábio, podemos confiar nele (cf. Eclesiastes 7.14).

Em outras palavras, Deus espera que confiemos nele seguindo o que Ele revelou em Sua Palavra e que não esperemos saber todas as razões dele por trás de cada detalhe providencial em nossas vidas.

A Bíblia permanece única em sua precisão e abrangência, porque ela é a própria Palavra de Deus. Tendo se originado em Deus, ela é inerrante e suficiente (2 Pedro 1.3; 2 Timóteo 3.16, 17). Tanto a inerrância quanto à suficiência estão de acordo com a própria natureza e o caráter de Deus. Sendo Ele absolutamente perfeito em Sua natureza divina, Sua revelação escrita, a Bíblia, é a perfeição absoluta (2 Samuel 22.31; Salmos 19.7).

A Bíblia tem autoridade absoluta. Essa autoridade é superior e mais valiosa do que qualquer teoria ou conselho que o homem comum possa formular para lidar com as turbulências ou dificuldades da alma (Provérbios 30.5). Ao obedecermos a essas ordens, servindo alegremente ao Senhor, as mulheres jovens crescerão em piedade, as mulheres mais idosas serão pessoalmente enriquecidas, a igreja colherá os benefícios desses relacionamentos piedosos e a comunidade será abençoada – tudo porque a Palavra de Deus foi honrada.