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Pregando Cristo no Antigo Testamento (8)

Davi e Golias, Spurgeon

Esta é uma série de postagens sobre como pregar a Cristo no Antigo Testamento. Muitos tem pregado de forma errada usando o Velho Testamento para pregações moralistas ou de auto-ajuda. Pregador, quer aprender a pregar com base no Antigo Testamento? Esta série de postagem lhe dará uma boa introdução.

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3. A PREGAÇÃO CRISTOCÊNTRICA APLICADA AOS PERSONAGENS BÍBLICOS

3.1. O método cristocêntrico

O método cristocêntrico histórico-redentor ou, simplesmente, cristocêntri­co, posiciona-se entre o método teocêntrico de Calvino e o método cristológico de Lutero. Greidanus define assim sua proposição:

O método cristocêntrico complementa o método teocêntrico de interpretação do Antigo Testamento procurando fazer justiça ao fato de que a história de Deus de trazer seu reino sobre a terra é centrada em Cristo: Cristo, o centro da história da redenção, Cristo o centro das Escrituras. Na pregação de qualquer porção das Escrituras, deve-se entender sua mensagem à luz desse centro: Jesus Cristo.

Deve ser deixado claro que o propósito do método não é impor a refe­rência a Cristo a todos os textos, mas ver todas as narrativas biográficas à luz de Jesus Cristo, por compreender ser este o modo correto de entender de toda a Escritura em seus ensinos, leis, profecias e visões.

Greidanus explica que o primeiro passo é entender a passagem dentro de seu próprio contexto histórico-cultural. A passagem deve ser ouvida do modo como Israel a ouviu, para só depois ser compreendida nos contextos mais amplos do cânon e da história da revelação. Nesse passo, o pregador deve fazer justiça a três aspectos característicos do texto: o literário, o histórico e o teocêntrico. Tais aspectos serão contemplados na aplicação dos cânones da exegese histórico-gramatical. Para os nossos propósitos, deve-se destacar, como o faz Greidanus, a importante pergunta sobre “o que essa passagem revela a respeito de Deus e sua vontade”. Esse questionamento chama a atenção para o fato de que Deus revelou-se e fez registrar essa revelação na Escritura. Faz o pregador desviar-se da tentação de focar sua atenção simplesmente no personagem, ou mesmo na relação entre o personagem e Deus, mas, primaria­mente, na relação entre Deus e o personagem. De acordo com Chapell, “por concentrar no que Deus está efetuando mediante o registro de cada evento, o relato de cada personalidade, e os princípios em cada ensino, o pregador protege a mensagem de se degenerar em adoração de mero herói humano”.

Em seguida deve-se compreender que os textos não podem ser entendidos isoladamente, mas devem ser entendidos dentro do contexto de toda a Bíblia e da história redentora.

Um sermão cristão sobre o Antigo Testamento necessariamente irá na direção do Novo Testamento. Isso é óbvio quando o texto contém uma promessa que é cumprida em Cristo: o pregador não pode parar na promessa, mas, naturalmente, irá prosseguir com o sermão até o seu cumprimento. O mesmo ocorre quando o texto contém um tipo que é cumprido em Cristo: o sermão vai do tipo para o antítipo. Isso também acontece quando o texto relata um tema que é mais de­senvolvido no Novo Testamento: no sermão, o pregador vai do tema do Antigo Testamento para seu desenvolvimento mais completo no Novo Testamento.

Tal necessidade pode ser estendida a todos os textos, pois firma-se no princípio de que a Escritura registra a história única da redenção. Cada episó­dio não está isolado em si mesmo, mas conduz o leitor em direção ao clímax, no caso do Antigo Testamento, ou decorre dele, no caso do Novo Testamento. Essa progressão pode ser observada tanto como continuidade quanto como descontinuidade, mas sempre haverá correlação. Sendo Cristo o clímax da história redentiva, deve-se perguntar por qual caminho esse texto pode chegar a Cristo? De acordo com Greidanus: “O caminho da progressão histórico- redentora? Da promessa-cumprimento? Da tipologia? Da analogia? Dos temas longitudinais? Ou do contraste? … [ou] as referências do Novo Testamento[?]”.

[cont.]

Por Dario de Araújo Cardoso em Uma Abordagem Cristocêntrica para os Sermões Biográficos

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