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Às suas amadas ele dá enquanto dormem

Morte por Trabalhar Demais

No Japão, existe um termo para o empregado que trabalha demais e morre cedo devido ao estresse relacionado ao trabalho: karoshi. Significa, literalmente, “morte por sobrecarga de trabalho”. A espetacular ascensão do Japão das cinzas da Segunda Guerra Mundial, chegando a se destacar economicamente, foi à custa de empregados que trabalhavam doze ou mais horas por dia, seis ou sete dias por semana, sem tirar férias. A nação atingiu imenso progresso econômico, mas esse progresso cobrou um preço alto: alguns estudos o associam à maior incidência de doenças cardíacas e cerebrais, bem como à diminuição da expectativa de vida para os homens japoneses.

O escritor de Eclesiastes conhecia a futilidade dessas buscas. Eclesiastes 4.6 diz: “Melhor é um punhado de descanso do que ambas as mãos cheias de trabalho e correr atrás do vento”. Trabalhar sem descansar é karoshi físico e espiritual. O que quer que estejamos buscando em nossa incessante gana por trabalhar — fama, fortuna, aprovação de outros — vai escorrer por nossos dedos como correr atrás do vento. Não dá para segurar.

A cultura ocidental sabe, há quase dois séculos, que um terço de nosso dia tem de ser destinado ao descanso; um terço ao trabalho; e um terço para viver. Como destaca um recente artigo na revista Salon, cento e cinquenta anos de pesquisa provam que as longas horas no trabalho matam os lucros, a produtividade e os empregados… cada hora que você trabalha além das 40 horas semanais o torna menos eficiente e menos produtivo, tanto a curto como a longo prazo. Pode parecer estranho, mas é verdade: a coisa mais fácil e rápida que sua companhia pode fazer para aumentar o desempenho de seus empregados e seus lucros — começando agora mesmo, hoje — é tirar todos da esteira de roda-viva de 55 horas por semana, devolvendo-os a um ritmo de 40 horas semanais.

Mesmo quando tentamos nos esforçar além da conta, talvez não consigamos fazer muito. Existe somente um ser que consegue fazer tudo de sua lista de coisas a fazer. Esse é o ponto do Salmo 127, que ecoa os temas que encontramos em Eclesiastes:

Se o SENHOR não edificar a casa, em vão trabalham os que a edificam; se o Senhor não guardar a cidade, em vão vigia a sentinela. Inútil vos será levantar de madrugada, repousar tarde, comer o pão que penosamente granjeastes; aos seus amados ele o dá enquanto dormem (Salmos 127.1–2).

Existe uma leitura alternativa para essa última linha, ainda mais encorajadora: “sim, a seus amados ele dá enquanto dormem”.

Como profissional autônoma, eu (Carolyn) tenho tido essa experiência vezes demais para contar — oportunidades em que tinha de encontrar novos trabalhos ou clientes e não tinha nada agendado. Acordava no dia seguinte para encontrar em minha caixa de e-mail um trabalho que eu não havia solicitado. Isso não se limita apenas a nós que somos nossos próprios chefes, mas eu acho que é mais fácil nos conscientizarmos dessa provisão diária quando não temos previsão quanto à fonte de nossa renda.

Também já tive experiência oposta, quando, por causa de necessidades materiais, esforcei-me além dos limites do sono e achava ter conseguindo progredir muito — até que fui revisar meu trabalho depois de ter dormido o suficiente e percebi quanto estava ruim. Foi pura vaidade ficar acordado até tão tarde. (Ai. Essa é a Nora me cutucando, porque isso acontecia enquanto estávamos escrevendo este livro! Ela é a ave que acorda cedo, e eu, a coruja noturna, mas muitos de meus esforços de escrever tarde da noite se mostram incoerentes à luz do dia. Preciso da verdade do meu próprio capítulo, e não sou orgulhosa demais para admitir isso.)

Se reconhecermos a diferença essencial entre Deus e nós, veremos a tolice de ignorar a ordem de Deus de descansar. Tim Challies escreve:

Lembre-se de seus limites de criação. Grande parte do vício de trabalhar demais representa um desafio aos limites físicos que Deus, nosso criador, impôs sobre nós. Lembre-se de que o Senhor também lançou uma maldição sobre o trabalho. Sabendo que o homem caído acabaria procurando satisfação máxima em seu trabalho, e não nele, Deus embutiu os “espinhos e abrolhos e suor do rosto” para fazer o homem sair do trabalho e ir em direção a ele.

Muitas esposas e mães estão bastante cônscias de seus limites como criaturas, mas não conseguem enxergar um fim para seu trabalho. Eu (Nora) me sinto exatamente assim. O descanso parece fugir das mães superocupadas. O sono é, no máximo, esporádico, pelas histórias que escuto. Os adolescentes atrapalham suas noites tanto quanto o fazem os pequeninos que mal começaram a andar. Ao ler essa última linha do Salmo 127 — “A seus amados ele dá enquanto dormem” —, você pode até pensar: “Pelas poucas horas que consigo dormir, vai ver que Deus não me ama tanto assim”. Mas eis um verdadeiro encorajamento para você: Deus nos provê descanso de espírito pela graça que nos dá. Mesmo em nossa necessidade de criaturas, de descansar, Deus nos atrai a ele para nos sustentar de modo sobrenatural.

Descanso não é mera inatividade. O descanso é restaurativo também. Existem elementos do descanso que são mental e espiritualmente restauradores. Com frequência, os militares se referem ao tempo de folga como “R&R”, significando “Repouso e Recreação”. A recreação — fazer algo diferente daquilo que fazemos como vocação — pode ser muito relaxante para a mente. Há muitos anos, eu (Carolyn) ouvi uma série de sermões sobre o descanso, e a mensagem sobre a recreação como parte do descanso realmente penetrou em minha mente. Naquele tempo, eu vivia a menos de dez minutos de um grande lago no qual podia praticar esporte com caiaque. Uma hora gasta sobre a água nos domingos à tarde era mais rejuvenescedora do que uma hora extra de sono. Pareciam miniférias. Estar ao ar livre, apreciar a beleza da água, tudo isso representava um forte contraste com a minha vida em um computador no escritório.

O descanso foi feito para restaurar nossa capacidade de trabalho. Se trabalharmos sem descansar, fecharemos a parte criativa em nós, levando toda a nossa capacidade mental a se retrair bem lá no fundo do cérebro, que foi programado para nossa sobrevivência. O sono é importante, mas também são importantes outras atividades restauradoras, como fazer exercícios, consumir alimentos nutritivos, gastar tempo com amigos ou lendo um bom livro. Seguir o modelo de Deus de descanso semanal pode ser a melhor parte da produtividade.

Embora sejamos criados à imagem de Deus, não somos como Deus em sua capacidade ilimitada — somente ele não dormita nem dorme (Salmos 121.4).

Mulher, Cristã e Bem-sucedida

Redefinindo Biblicamente o Trabalho Dentro e Fora do Lar

Ter uma profissão reconhecida? Cuidar do lar e da família? O trabalho é apenas para mulheres que precisam de renda? A mulher pode ser feminina, piedosa e, ao mesmo tempo, ter aspirações profissionais? Na visão de Deus, o que difere a mãe que fica em casa da mulher que trabalha fora?

Neste livro, Carolyn e Nora respondem a essas e muitas outras perguntas que pairam na cabeça de mulheres de diversos contextos e idades. Longe dos argumentos acusadores, que mais dividem do que colaboram para uma discussão saudável e edificante, Carolyn e Nora mostram como a mensagem redentora do evangelho permite que os ensinamentos bíblicos sobre o papel da mulher coexistam com o engajamento profissional, encorajando a contribuição feminina no lar, na sociedade e na igreja.

Se você já se perguntou se está vivendo a vida que mais glorifica a Deus, este livro irá ajudá-la a refletir biblicamente sobre a relação entre a mulher e o trabalho.

CONFIRA

Por: Carolyn McCulley. © Editora Fiel. Website: EditoraFiel.com.br. Trecho extraído com permissão. Fonte: Extraído do livro: Carolyn McCulley, Mulher, Cristã e Bem-sucedida – Redefinindo Biblicamente o Trabalho Dentro e Fora do Lar.

Original: Às suas amadas ele dá enquanto dormem. © Ministério Fiel. Website: MinisterioFiel.com.br. Todos os direitos reservados.

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